essa aceleração do ritmo temporal se manifesta nas nossas ações mesmo que elas, aparentemente, não tenham a ver com o tempo, como dar passagem no trânsito, por exemplo.
imagens, pensamentos e temas do cotidiano à luz da psicanálise.
Posted 3 months ago
essa aceleração do ritmo temporal se manifesta nas nossas ações mesmo que elas, aparentemente, não tenham a ver com o tempo, como dar passagem no trânsito, por exemplo.
Posted 3 months ago
neste artigo de Raphael Martins, da Revista Espaço Aberto, pesquisadores do Instituto de Psicologia da USP são entrevistados e apresentam diferentes reflexões sobre a sensação dos dias de poucas horas. o tempo voa?
clique no título para acessar o link da USP.
Posted 1 year ago
The Apartment (1960), dirigido por Billy Wilder, estrelando Jack Lemmon e Shirley MacLaine.
Posted 1 year ago
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ontem assisti o célebre filme de Billy Wilder, “Se meu apartamento falasse” - The Apartment. o filme conta a história de C. C. Baxter, um homem ambicioso que trabalha em uma grande companha de seguros de Nova York. para conquistar a simpatia de seus chefes e acelerar sua carreira na empresa, C. C. Baxter empresta seu apartamento para que os executivos casados possam ter encontros amorosos em segredo.

em 1959, Nova York tem 8.042.783 habitantes e C. C. Baxter é apenas um rosto entre os 31.259 funcionários da Consolidated Life. todos os dias ele toma o mesmo elevador para chegar ao 19o andar, onde trabalha pontualmente das 8:50 às 16:20h no Departamento de Apólices Ordinárias da divisão de Contabilidade e Patrimônio, no setor W, mesa número 861.
ele é o homem coletivo, sem nome próprio e sem identidade. toda sua vida é definida por algo ou alguém que não ele mesmo. na empresa, ele deve obedecer às normas e costumes (até aqui tudo bem). mas também sua rotina doméstica é submetida aos horários impostos pelos seus chefes, que se encontrarão com suas amantes nas horas mais inconvenientes. ele reclama, tenta argumentar, mas sempre acaba vencido, pois para ele não há diferença entre vida pública e privacidade.
Posted 1 year ago
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tem coisas que não conseguimos descrever. ou melhor, não conseguimos nomear, nem colocar em imagens, nem pensar com clareza nem botar pra fora. e no entanto, essas coisas ficam dentro de nós como nós cegos de uma corda, como um comprimido que gruda na garganta em um ponto onde não podemos alcançar nem remover com um copo d’água.
o pensamento - diz Bion - resulta de uma série de transformações que vão das impressões mais concretas (tremor, vazio, pontada) às mais abstratas (frio, fome, angústia). não acho que ele disse isso exatamente assim. essa é uma puxada de lembrança de quem não está com ânimo para levantar e procurar a referência no livro. o xis da questão é que essas sensações brutas transformam-se em imagens, sentimentos, idéias e significados pela ação do pensamento.

no entanto, nem tudo pode ser processado pelo pensar. nem tudo consegue alcançar a abstração do pensamento, que poderia então ser usado para produzir sonhos, reflexões, conhecimento de si. tem coisas que o pensamento não consegue digerir e que permanecem longamente como aquele comprimido entalado na garganta, como uma aflição incômoda.
quando dizemos que uma situação é impensável, podemos levar isso ao pé da letra. o impensável é um aspecto de nós mesmos que permanecerá no estranhamento, na brutalidade, na concretude indissolúvel e inimaginável. dito de outro modo, o impensável é aquilo que a gente não consegue sequer imaginar, e que nos provoca sofrimento justamente por não termos recursos para transformar essas sensações em algo reconhecível.
essa tragédia em uma escola do Rio de Janeiro é algo impensável. é uma violência tão intensa que chega a paralisar a mente. ficamos chocados, em estado de suspensão, sem chão e sem perspectiva. tamanha é a brutalidade desse evento que sequer podemos descrever o que sentimos nessa hora. ouvi algumas pessos dizendo que não conseguem imaginar que isso tenha de fato acontecido, não fosse pelas imagens da televisão que testemunham uma realidade.
no limite estamos sozinhos com nossos corpos no mundo. acho que essa frase é do D. Juan dos livros do Castañeda, que fala da morte como a prova cabal de que estamos vivos. eu particularmente estou anos-luz distante de conseguir pensar dessa forma.
o que fica desse episódio no Rio, e de tantas outras situações que presenciamos - seja remotamente pela TV, seja diretamente em situações particulares - é a terrível constatação de que apesar de todas as possíveis precauções e cuidados que possamos ter com a vida, no fim das contas estamos fundamentalmente desamparados.
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